Entre o fim de 2025 e o início de 2026

Entre o fim de 2025 e o início de 2026, refletimos sobre melancolia, transições e autocuidado, reafirmando o compromisso de promover saúde mental com presença, ciência e acolhimento humano contínuo.

SUMÁRIO

Cuidar da saúde mental como um compromisso com a vida

O encerramento de um ano costuma nos colocar diante de um espaço silencioso entre o que foi vivido e o que ainda está por vir. É um tempo marcado por balanços, memórias, despedidas e expectativas. Para muitas pessoas, esse período traz sentimentos ambíguos: gratidão e cansaço, esperança e medo, alívio e saudade.

Nem sempre o fim de ano é leve,  e reconhecer isso já é um importante gesto de cuidado com a saúde mental.

Ao longo de um ano, atravessamos desafios visíveis e outros que ninguém vê. Lidamos com pressões, perdas, mudanças de rumo e tentativas diárias de seguir em frente. Olhar para tudo isso com gentileza é essencial para encerrar um ciclo sem transformar a própria história em cobrança.

Encerrar um ciclo não é apagar o que foi vivido

Fechar um ano não significa fazer um balanço perfeito ou listar apenas conquistas. Houve aprendizados, limites respeitados, vínculos fortalecidos e, muitas vezes, sobrevivência – e isso também é vitória.

Cuidar da saúde mental nesse período é permitir-se sentir sem pressa de resolver tudo. Emoções não precisam ser corrigidas, precisam ser acolhidas.

A melancolia de fim de ano: quando o encerramento de ciclos pesa emocionalmente

Na Psicologia, é comum observar o que muitos profissionais chamam de melancolia de fim de ano – um estado emocional marcado por tristeza leve a moderada, nostalgia, cansaço psíquico e uma sensação de vazio ou insuficiência que aparece justamente no período de encerramento do ano.

Estudos em Psicologia Clínica e Social indicam que esse fenômeno está associado a alguns fatores recorrentes: o balanço automático da própria vida, a comparação com expectativas sociais, mudanças bruscas na rotina e o simbolismo do tempo que passa. O fim do ano funciona como um “marco temporal”, levando muitas pessoas a revisitar perdas, escolhas não realizadas e metas que ficaram pelo caminho.

Pesquisadores como Aaron Beck, referência nos estudos sobre cognição e humor, já apontavam que períodos de avaliação pessoal intensificam pensamentos automáticos negativos, especialmente em pessoas mais autocríticas. Além disso, estudos contemporâneos em Psicologia Positiva e Psicologia do Ciclo de Vida mostram que momentos de transição tendem a aumentar a sensibilidade emocional, mesmo em pessoas sem diagnóstico de transtornos mentais.

É importante destacar que a melancolia de fim de ano não é um transtorno, mas um estado emocional transitório. Ainda assim, quando ignorada ou somada a outros fatores – como estresse acumulado, luto, solidão ou esgotamento emocional -, pode se intensificar e gerar sofrimento significativo.

Alguns sinais comuns incluem:

  • sensação persistente de tristeza ou desânimo;
  • nostalgia excessiva ou apego ao passado;
  • irritabilidade ou cansaço emocional;
  • dificuldade em sentir entusiasmo pelo novo ano;
  • pensamentos de autocrítica ou fracasso.

Reconhecer esses sinais com gentileza é essencial. Psicólogos reforçam que acolher a melancolia, em vez de combatê-la, ajuda a atravessar o período com mais consciência emocional. Criar espaços de escuta, reduzir comparações e buscar apoio profissional quando necessário são atitudes que favorecem uma transição mais saudável entre o fim de um ciclo e o início de outro.

Cuidar da saúde mental no fim do ano também é compreender que nem todo recomeço precisa ser acelerado. Às vezes, ele começa no silêncio, no acolhimento e no respeito ao próprio tempo.

Começar 2026 com mais presença e menos exigência

O início de um novo ano costuma vir acompanhado de promessas e metas rígidas. Mas 2026 não precisa começar com cobranças irreais. Ele pode começar com escolhas mais conscientes, metas mais humanas e um olhar mais atento para a própria saúde emocional.

Alguns compromissos possíveis para esse novo ciclo:

  • cultivar pausas reais;
  • escutar o corpo e a mente com mais atenção;
  • manter hábitos simples de autocuidado;
  • fortalecer as  redes de apoio;
  • buscar ajuda profissional quando o sofrimento emocional persistir.

Cuidar da saúde mental não é um projeto de curto prazo. É um processo contínuo, construído dia após dia.

Entre o que termina e o que começa

ntre o fim de um ano e o começo de outro, existe um espaço de transição que merece respeito. É nesse intervalo que se organizam sentimentos, se ressignificam experiências e se abrem novas possibilidades de cuidado.

Que 2026 seja vivido com mais presença, responsabilidade emocional e acolhimento. Que o cuidado com a saúde mental deixe de ser exceção e passe a ser prioridade.Seguimos com o mesmo propósito: promover saúde mental para tornar a vida melhor.


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