Exposição de crianças nas redes sociais

Sharenting é a exposição excessiva de crianças nas redes, trazendo riscos à privacidade, segurança e saúde emocional. O texto alerta para consequências legais e éticas e convida pais a práticas digitais mais conscientes.

SUMÁRIO

Sharenting: quando o excesso de compartilhamento expõe crianças e adolescentes na rede

Com a ascensão das mídias digitais, alguns hábitos de compartilhamento de memórias tornou-se muito comum, dentre estes, pais e responsáveis que divulgam cada passo da vida dos filhos nas redes sociais. A prática designa-se sharenting: a união das palavras em inglês “to share” (compartilhar) e “parenting” (parentalidade) que descreve o hábito – muitas vezes excessivo- de postar fotos, vídeos e informações de crianças e adolescentes, com ou sem consentimento deles.

Não se trata apenas de uma foto ocasional, mas de uma verdadeira narrativa digital da vida da criança ou adolescente. O sharenting tem implicações profundas e, muitas vezes, invisíveis, que vão da privacidade à segurança, da formação da identidade às relações familiares, além de abrir espaço para riscos jurídicos, psicológicos e sociais.

Entre o afeto e o risco

Enquanto muitos pais enxergam a prática como uma forma de expressar orgulho e compartilhar “marcos de desenvolvimento” com sua rede, a linha tênue do compartilhamento expõe riscos e prejuízos sérios.

De acordo com um relatório de 2028, feito pela ativista inglesa Anne Longfield, uma criança pode ter, em média, cerca de 1.300 fotos circulando na internet antes de completar 13 anos. Em alguns países, 81% dos bebês já têm pegadas digitais antes dos 2 anos de idade.

Mesmo quando a intenção é positiva, o impacto pode ser preocupante: imagens revelam rotina, roupas escolares, locais frequentados, datas de aniversário, condições de saúde e hábitos da família, informações valiosas para golpes, perfis falsos, crimes cibernéticos e até redes de pedofilia.

Cenário internacional: modelos francês e irlandês

Diante do cenário global, diferentes países buscam abordagens distintas para proteger as crianças.

Na França, país pioneiro no debate,  há um projeto de lei em tramitação que prevê medidas rígidas para coibir a divulgação excessivas, dentre elas estão:

  • Proibir pais de postar fotos dos filhos sem consentimento;
  • Prever mediação ou medidas legais quando os pais discordarem entre si;
  • Possibilidade de perda parcial dos direitos sobre a imagem da criança;
  • Regulação da exploração comercial da imagem infantil;
  • Direito ao esquecimento: possibilidade de remoção de conteúdos postados pelos pais, se a criança assim desejar

A legislação reforça e reconhece os direitos individuais dos menores, consagrados pela Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos da Criança.

Já na Irlanda, o país adotou uma abordagem centrada na educação e conscientização por meio de uma campanha nacional direcionada aos pais e responsáveis. A mensagem central da campanha é: “Pare antes de postar”.

A iniciativa irlandesa busca educar os pais sobre:

  • Os Riscos de Segurança: alertando que 50% das imagens de crianças encontradas em fóruns criminosos foram, inicialmente, postadas pelos próprios pais.
  • A Pegada Digital: enfatizando que cada postagem contribui para uma “pegada digital” permanente e que pode trazer constrangimento ou prejuízos para o filho no futuro.
  • A Importância do Consentimento: A campanha destaca a oportunidade perdida de ensinar as crianças sobre o valor da privacidade e do consentimento quando os pais postam por impulso.

A Irlanda reforça a responsabilidade digital dos adultos e a necessidade de pausa e reflexão antes de qualquer compartilhamento.

Sharenting no Brasil

Embora o Brasil ainda não tenha uma lei específica sobre sharenting, diversos dispositivos protegem crianças e adolescentes indiretamente. A Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Marco Civil da Internet afirmam:

  • a criança deve sempre ser priorizada, focando no melhor interesse da criança (art. 227 da Constituição);
  • crianças e adolescente são sujeitos de direitos individuais (ECA – Art. 5º e 100)
  • o poder exercido pela família não é ilimitado;
  • a possibilidade de responsabilização judicial em casos de exposição inadequada.

Assim, a liberdade de expressão dos pais é relevante, mas encontra seu limite quando confrontada com os direitos de personalidade dos filhos, como a honra, a intimidade e a vida privada.

fonte: nexo jornal

As implicações invisíveis

Segundo pesquisas de diversos países, existem três grandes impactos causados pela nociva prática de compartilhamento excessivo da vida nas redes sociais: privacidade e segurança digital, danos psicológicos e ruptura na dinâmica familiar.

1- Privacidade e segurança digital

O sharenting cria pegadas digitais extensas e precoces. O compartilhamento em excesso de dados aumenta a vulnerabilidade a: perfis falsos, pedofilia e sequestro digital, roubo de identidade e exposição involuntaria de dados sensíveis da rotina.  

2-  Impactos psicológicos

Ser exposto em momentos de vulnerabilidade (como birras, acidentes ou situações íntimas) pode gerar bullying na escola, sentimentos de vergonha e, na adolescência, crises de identidade e ansiedade relacionadas à sua presença digital incontrolada. Uma pesquisa do TIC Kids Online Brasil 2024 revelou que 71% das crianças de 12 a 16 anos acreditam que seus pais não respeitam sua privacidade on-line. 

3- Dinâmica Familiar

As dinâmicas da hiperconexão criou uma cultura digital em que há a expectativa de que a vida, as rotinas e os cotidianos sejam 100% partilhados online. Muitos pais relatam sentir pressão para compartilhar e medo de julgamento quando não o fazem. 

Caminhos possíveis

Compartilhar pode ser afetivo, mas precisa ser responsável.

  • reavaliar o quê, quando e por que postar.
  • pedir consentimento, mesmo a crianças pequenas, estimulando a autonomia;
  • entender as configurações de privacidade das plataformas;
  • evitar exposição de rotinas, roupas escolares, dados pessoais e situações constrangedoras.
  • exigir políticas públicas que acompanhem o mundo digital.

Para aprofundar ainda mais essa discussão, publicamos em nossas redes sociais um vídeo sobre os impactos da exposição excessiva de crianças na internet. O professor Hugo Guimarães reforça pontos fundamentais: como a presença digital criada pelos pais pode marcar a vida emocional dos filhos, os riscos de constrangimento e bullying, a pressão por validação nas redes e, principalmente, os perigos relacionados à segurança online.

Cuidar da presença online dos filhos é também cuidar da sua segurança, autonomia e dignidade.

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