O início do ano como um convite à consciência, ao cuidado contínuo e a escolhas mais humanas para a saúde emocional
O início de um novo ano costuma ser marcado por expectativas, planos e promessas. É um período simbólico de recomeços, mas também de balanços silenciosos sobre o que foi vivido e sobre aquilo que ainda se deseja construir. Nesse cenário, falar de saúde mental em janeiro é necessário.
Foi a partir dessa compreensão que surgiu o Janeiro Branco, uma campanha criada no Brasil, em 2014, pelo psicólogo Leonardo Abrahão. A proposta nasceu da ideia de que o primeiro mês do ano, assim como uma “folha em branco”, representa uma oportunidade simbólica para refletir sobre emoções, comportamentos, escolhas e formas de cuidado com a saúde mental. Desde então, o movimento se consolidou como um convite coletivo à conscientização e à responsabilidade emocional.
Assim como organizamos metas financeiras, profissionais e pessoais no início do ano, o Janeiro Branco nos lembra que a saúde emocional também precisa fazer parte dessa agenda. Cuidar da mente não pode ser um assunto adiado, nem restrito aos momentos de crise.
Janeiro: um tempo de balanços e emoções intensas
Janeiro não é apenas o primeiro mês do calendário. Ele representa um espaço emocional entre encerramentos e começos. Muitas pessoas chegam a esse período atravessadas por cansaço acumulado, expectativas não atendidas, lutos, mudanças, frustrações e pressões que nem sempre encontram espaço para serem expressas.
É comum que sentimentos como ansiedade, insegurança, tristeza ou sensação de vazio apareçam com mais intensidade nesse momento. Reconhecer essas emoções não é sinal de fraqueza e sim um sinal de humanidade.
Falar sobre saúde mental em janeiro ajuda a legitimar essas vivências, a reduzir o silêncio que muitas vezes intensifica o sofrimento e a lembrar que ninguém precisa atravessar seus desafios sozinho.
Saúde mental não é sobre estar bem o tempo todo
Ainda existe uma ideia equivocada de que saúde mental significa felicidade constante ou ausência de dificuldades. Na prática, saúde mental está relacionada à capacidade de lidar com emoções, atravessar desafios, construir vínculos saudáveis e buscar apoio quando necessário.
Cuidar da mente não é eliminar sentimentos difíceis, mas aprender a escutá-los com responsabilidade e acolhimento. É reconhecer limites, respeitar o próprio ritmo e entender que pedir ajuda profissional é um gesto de cuidado, não de fracasso.
Cada pessoa vive o início do ano de forma única. Não existe um “jeito certo” de se sentir — e todas essas experiências merecem respeito.recisa ser acelerado. Às vezes, ele começa no silêncio, no acolhimento e no respeito ao próprio tempo.
Por que começar o ano falando sobre saúde mental?
Abrir o ano com esse tema é um convite à consciência. É lembrar que metas e planos só se sustentam quando a saúde emocional também está sendo cuidada. Quando ignoramos o que sentimos, corremos o risco de construir expectativas desconectadas da realidade, marcadas por cobranças excessivas e desgaste emocional.
Quando a saúde mental entra na conversa desde o início do ano, criamos espaço para escolhas mais realistas, relações mais saudáveis e uma rotina mais equilibrada. O Janeiro Branco não propõe mudanças radicais ou promessas inalcançáveis, mas pequenos movimentos de cuidado, feitos com constância e intenção ao longo do tempo.
Cuidado contínuo: uma responsabilidade compartilhada
Falar de saúde mental é também assumir um compromisso coletivo. Famílias, empresas, escolas, instituições e profissionais de saúde têm um papel fundamental na construção de ambientes mais acolhedores, seguros e emocionalmente saudáveis.
Na apice, promovemos o cuidado em saúde mental de forma integral, com diferentes níveis de atenção e acompanhamento, sempre baseados em ciência, ética e humanização. Acreditamos que presença é respeito, que acolher é nossa essência e que inovar com responsabilidade faz parte do nosso compromisso com a vida.
Janeiro Branco é só o começo
A campanha é um convite que atravessa o ano inteiro. Falar de saúde mental em janeiro abre caminhos para diálogos mais honestos, escolhas mais conscientes e cuidados mais consistentes nos meses seguintes.
Porque cuidar da mente não é um evento pontual, é um processo contínuo e diário.
E porque, quando a saúde mental é prioridade, a vida pode ser melhor.